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META-FORUM 2011 - Press Release


Estarão as Línguas Europeias em Perigo?

O META-FORUM 2011 lança uma mensagem de alerta e de confiança

O META-FORUM, a decorrer em Budapeste, Hungria, nos dias 27/28 de Junho, é uma conferência internacional sobre o poder das tecnologias na sociedade de informação multilingue europeia e um evento oficial com o apoio da Presidência Húngara para a União Europeia.

A diversidade linguística e cultural constitui um marco para a união da Europa. Contudo, embora a União Europeia trabalhe com 23 línguas oficiais, um total de cerca de 60 línguas são faladas no nosso Continente se tomarmos em linha de conta idiomas regionais. A informação fornecida a todos os falantes, parceiros de negócio, utilizadores e turistas continua a crescer a um ritmo acelerado, mas estarão as organizações públicas e privadas capacitadas para traduzir uma vasta quantidade de textos para as 23 ou 60 línguas? Para as 23 línguas oficiais, há já 506 pares de línguas de partida e de chegada; para as restantes 60, necessitaremos de 3540 pares. É certo que não podemos sacrificar a diversidade linguística que vivemos na Europa, mas conseguiremos mantê-la?

Integrar a Europa significa quebrar quaisquer fronteiras entre pessoas, bens e capitais, algo que a Internet veio reforçar ao permitir uma livre troca de informação, em que a linguagem humana é apenas um meio de recolha e partilha do conhecimento da humanidade, servindo, assim, como manta retalhada da Web. No entanto, esta Web é feita de várias línguas, assistindo nós a uma oferta cada vez maior de conteúdo em línguas que não o Inglês. Por esta mesma razão, a haver algum vestígio de divisão a impedir o livre movimento de ideias e pensamentos, é certamente a barreira linguística, pelo que vastas oportunidades no mercado regional continuam inacessíveis devido a esse mesmo entrave. Num recente relatório da UNESCO sobre multilinguismo, é referido que as línguas são um meio fulcral para execução de direitos fundamentais, como sejam a expressão política, a educação e a participação na sociedade. Já no que aos cidadãos diz respeito, estes começaram a aceder a informação através da Internet estabelecendo discussões interactivas sobre temas de destaque social, como a exploração das Energias Sustentáveis, a reforma do sistema financeiro e o processo das alterações climáticas; contudo, tais discussões são ainda filtradas pelas fronteiras linguísticas. Uma Europa e-democrática bem-sucedida precisa de quebrar essas barreiras.

As Tecnologias da Linguagem desenvolvem um papel de antecipação, fornecendo, assim, os meios necessários para que sejam ultrapassadas todas as barreiras linguísticas dentro da Europa. Na verdade, nos últimos anos, a tradução automática melhorou consideravelmente, mas, ainda assim, a investigação e o desenvolvimento tecnológicos não estão a dar a devida resposta, de forma pronta e completa, no sentido de resolver os problemas linguísticos com que nos deparamos. Por razões económicas óbvias, todo o trabalho de investigação baseia-se no Inglês, e a maioria das línguas europeias e escassa em recursos, sendo que algumas permanecem mesmo em completa negligência. Neste sentido, as línguas da Europa não estão à prova do futuro.

No META-FORUM 2011 − onde estarão reunidos os melhores centros de investigação da Europa, pequenas e grandes corporações de tecnologia, serviços de tradução e outros utilizadores das Tecnologias da Linguagem, comunidades de língua, bem como ainda decisores políticos responsáveis pelo suporte de toda a investigação e inovação − será apresentado um relatório sobre os Livros Brancos de 30 línguas, procedendo-se, assim, a um levantamento do estatuto de cada uma das línguas europeias na era digital.

O encontro é organizado pela META-NET, uma Rede de Excelência formada por 47 centros de investigação de 31 países e financiada pela Comissão Europeia, que presentemente se encontra a construir uma Aliança Tecnológica Multilingue Europeia, unindo investigadores, fornecedores e utilizadores de tecnologia da linguagem com vista à congregação de um trabalho conjunto para uma Europa de mais investigação e inovação. Representantes de mais de 280 organizações de 40 países já aderiram a esta Aliança.

No seu discurso de abertura, Zoran Stančič, director-geral adjunto para a Sociedade de Informação e Media da Comissão Europeia, traça expectativas claras: “Dentro da União Europeia, temos vindo a esbater de forma incisiva as fronteiras físicas entre os países, no entanto muitas outras restam ainda, incluindo as linguísticas. Assim, o acesso à informação em todas as línguas é uma condição necessária para uma melhor circulação de produtos e serviços, bem como para impulsionar o advento de um único mercado digital sem roturas. Acredito fortemente no poder da Europa para fomentar a sua liderança no que concerne às tecnologias da linguagem e para delinear soluções que beneficiarão a sociedade europeia e a economia em geral. Contudo, para o conseguir, a única forma está no desenvolvimento de um trabalho conjunto e na construção de fortes parcerias com todas as partes interessadas. No futuro, o lugar das tecnologias da linguagem no panorama europeu da investigação e da inovação dependerá em muito da capacidade desta área em fazer-se ouvir com uma só voz.”

Todos os participantes do META-FORUM terão a oportunidade para debater os pontos orientadores e os planos inicias no sentido de impulsionar a tecnologia que fora delineada. Com três grupos estratégicos e um diálogo público online, especialistas de mais de 100 empresas e organismos de investigação reuniram já ousadas abordagens para investigação e estratégias futuras para a criação de aplicações robustas no domínio da Tecnologia da Linguagem que mudarão o nosso trabalho e o nosso dia-a-dia, a apresentar e a discutir na conferência de Budapeste. Quanto ao trabalho de partilha da estratégia, servirá como ponto de partida para a Agenda de Investigação Estratégica, cuja primeira versão será também discutida neste encontro. Tal como nos explica Hans Uszkoreit, coordenador da META-NET, “com a estratégia, os intervenientes e a agenda devidos, poderemos assegurar o futuro das línguas e da competitividade de um sector da indústria europeia numa área-chave para o crescimento tecnológico. Os custos públicos para cada um dos trabalhos poderão não ser maiores do que aqueles que seriam usados em 100 km de estrada para um novo Estado-membro”.

O trabalho de grande escala que se pretende levar a cabo irá capacitar a tradução automática, como também criar tecnologias de suporte a novas aplicações. As Tecnologias da Informação são hoje, comummente, vistas como uma das áreas-chave em crescimento no que concerne à informação tecnológica, razão pela qual vastas organizações internacionais como a Google, a Microsoft, a IBM e a Nuance nela têm investido de forma considerável. Na Europa, centenas de pequenas e médias empresas especializaram-se já em aplicações ou serviços em Tecnologia da Linguagem, área que dá às pessoas a possibilidade de comunicar, aprender, negociar e partilhar conhecimento proveniente de todas as línguas independentemente dos conhecimentos que possam ter em informática.

Hoje em dia, as tecnologias da linguagem apoiam-nos em tarefas quotidianas, como sejam a escrita de e-mails ou a compra de bilhetes, e beneficiamos delas nos mais variados momentos: na procura ou tradução de páginas Web; na utilização de ferramentas de processamento de texto ou correctores ortográficos; na activação de sistemas de entretenimento do nosso carro ou telemóveis através do reconhecimento de voz; na recepção de propostas de livrarias online; ou no seguimento de instruções áudio dadas por uma aplicação de navegação móvel. Num futuro próximo, seremos capazes de falar com programas de computador bem como com máquinas ou aplicações, incluindo aqueles por que há muito esperamos, os robôs de serviço, que em breve estarão ao nosso lado nas nossas casas e locais de trabalho. Onde quer que nos encontremos quando precisamos de obter informação, solicitamo-la, simplesmente; quando necessitamos de ajuda, vamos à sua procura falando sem qualquer restrição. Ao quebrar barreiras comunicativas entre pessoas e tecnologias estaremos a mudar o mundo.

No META-FORUM, os oradores Thomas Hofmann, da Google Europe, e Bran Boguraev, da IBM USA, farão uma exposição sobre os planos e avanços tecnológicos nas suas delegações internacionais; alguns dos principais cientistas em Tecnologia da Linguagem da Europa darão lugar a uma breve apresentação do estado-da-arte, divulgarão novos avanços e histórias de sucesso no que à investigação europeia diz respeito; e representantes de um vasto número de utilizadores das tecnologias da linguagem, como o serviço de tradução da Comissão Europeia, a Daimler Corporation e a Vodafone, falarão dos benefícios das aplicações das tecnologias da linguagem e exporão as suas necessidades.

Durante a Terça-feira, dia 28 de Junho, a META-Prize, que homenageia a investigação de mais alto nível, premiará tecnologias e serviços ao dispor de uma sociedade de informação europeia multilingue, e serão também apresentados vários META-Seals de Reconhecimento para produtos e serviços multilingues. Terá lugar também uma exposição por parte da indústria a decorrer em paralelo com a conferência que contará com exposições e demonstrações de grandes e pequenas empresas a trabalhar na área das Tecnologias da Linguagem, onde serão avançados os mais recentes resultados quanto a investigação e desenvolvimento tecnológicos em projectos financiados pela União Europeia.

Dois países de sociedades multilingues — a Índia, com 19 línguas 'oficiais', e a África do Sul, com 11 línguas nacionais — estão a desenvolver de forma sistemática programas na área das Tecnologias da Linguagem que se juntarão neste META-FORUM aos programas de investigação europeus e nacionais, pelo que serão levados a comparação e discussão os problemas e respectivas estratégias de solução das sociedades multilingues e de línguas da Europa de escassa investigação em dois painéis de discussão.

Para que a criação de aplicações bem-sucedidas para uma dada língua seja uma realidade, é imperativa a recolha e análise de largas quantidades de dados linguísticos, como gravações de texto e fala. É também condição necessária a existência de tecnologia básica de análise linguística para cada língua. Em virtude destas premissas, no fórum de Budapeste, a META-NET irá apresentar um novo serviço de partilha e armazenamento de recursos linguísticos, a META-SHARE, que facilitará em grande medida o desenvolvimento e a investigação. A existência e a qualidade de tais recursos variam de língua para língua, dependendo da incidência comercial de cada uma, dos problemas que a própria língua colocou no que ao processamento automático diz respeito e da investigação já desenvolvida. Para que esta avaliação seja possível, a META-NET apresentará os Livros Brancos de cada língua, algo que, até ao momento, ninguém havia feito sobre o estado das línguas da Europa no que a suportes tecnológicos concerne. Agora, a META-NET pode adiantar por que a maior parte das línguas enfrenta graves problemas e apontar quais as lacunas mais perigosas.

Eis a principal mensagem do META-FORUM 2011: Embora a Europa e demais Estados-membros tenham encetado individualmente numerosos projectos de investigação, o fosso tecnológico entre línguas “maiores” e “menores” continua a aumentar. Até à data, nenhum trabalho de dimensão devida e de coordenação foi desenvolvido na Europa no sentido de criar os recursos e as tecnologias em falta e de proporcionar a transferência de tecnologias entre a maioria das línguas. Há, efectivamente, razões fortes para encarar este grande desafio através de um esforço comunitário em que a Europa, os seus Estados-membros e toda a indústria estejam envolvidos, como sejam os elevados encargos financeiros per capita para pequenas comunidades linguísticas; a necessária transferência de tecnologia entre línguas; a interoperabilidade de recursos, ferramentas e serviços; e, por fim, o facto de as fronteiras linguísticas não coincidirem, não raras vezes, com fronteiras políticas. A Europa tem de tomar medidas para preparar as suas línguas para esta era digital em que vivemos. Elas são uma valiosa componente do nosso património cultural e, como tal, merecem ter um futuro.


UNESCO Director-General, Intersectoral mid-term strategy on languages and multilingualism, Paris, 2007 (http://unesdoc.unesco.org/image/0015/001503/150335e.pdf).